CRÔNICA: UM DIA (quase) PERFEITO

sexta-feira, 13 de abril de 2018



Acordei e olhei pela janela. O dia estava ensolarado e cheio de vida. O céu de um azul claro quase branco encheu meus olhos. Que dia perfeito, pensei. Meu dia perfeito? Quando foi? Tive algum? E sem permissão essas perguntas pipocavam em minha mente, me levando a você.

Nossos dias perfeitos. Às vezes tão bagunçados, desajeitados. Começos bons, finais ruins. Começos de dar raiva, fins de nos fazer sorrir. Uma palavra certa, milhares erradas. Uma palavra errada, o dia inteiro de certas. Porque aprendi que um dia perfeito, nunca é perfeito 100%.

Sorri em meio as lembranças. Sorri porque não preciso disso. E não é uma questão de comodismo, mas uma questão de ser grata, estar cheia, transbordante pelo que tem. 

Um salão. Duas cadeiras. Milhares de pessoas. Eu e você. A primeira vez que você me olhou. Como olha todos os dias.

Um quarto. Um abraço de despedida. O melhor que recebi. 

Uma sala. Um filme. A primeira vez que outros dedos se entrelaçaram aos meus. Minha cabeça em seus ombros. Uma tarde cinzenta lá fora, um mundo de cor lá dentro.

Uma árvore. Coração mais disparado do que se estivesse correndo. Eternizados, até que outra camada cubra, ou o tempo faça, partícula a partícula, aos poucos, desaparecer. 

Uma escada. A primeira vez que você fez meus pensamentos desaparecerem. E a primeira vez que amei ( mais do que todas) te ver sorrindo.

Uma tarde. Uma música. Um record. As melhores risadas.

Fim de tarde. Uma surpresa. Várias lágrimas. O universo sorrindo para mim. 

E eu poderia ficar a manhã inteira lembrando dos meus dias com você. Todos eles. Registrados na memória. Guardados. Seguros. 

Não sei se algum dia teremos um dia efetivamente perfeito, e nem sei se quero. Amo nossos dias, todos eles construídos por nossas escolhas e palavras. Nossos  dias ( quase) perfeitos.

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