Clássico do Mês: LUCÍOLA de José de Alencar

quarta-feira, 7 de março de 2018



" No livro da vida não se volta quando se quer, a página já lida, para melhor entendê-la; nem pode-se fazer a pausa necessária à reflexão. Os acontecimentos nos tomam e nos arrebatam às vezes tão rapidamente que nem deixam volver um olhar ao caminho percorrido."

- Lucíola

Lucíola foi minha segunda leitura de Março e meu clássico do mês, já que me propôs ao longo de todos os meses incluir clássicos brasileiros e de outros países em minhas leituras, e sem dúvida alguma o livro foi uma decisão assertiva.

Além desse livro, já fiz mais quatro leituras do autor, sendo elas: Cinco Minutos ( minha favorita), Til, Iracema e Senhora. José de Alencar faz parte do romantismo brasileiro, sendo o autor que consolidou e criou uma literatura nacionalista. Seus romances dividem-se em grupos sendo que Lucíola se encaixa nos romances urbanos, que tem como características representar os comportamento humano em  uma determinada sociedade e discutir os valores morais em transformação de cada personagem.

Em Lucíola, o livro será narrado em primeira pessoa pelo Paulo, e logo nas primeiras páginas sabemos  que a história que ele vai contar  já aconteceu há algum tempo, porém o autor cria a narrativa de forma tão real, que realmente parece que o protagonista está vivendo todas as situações como se fossem novas.

Paulo conhece Lúcia, uma cortesã da sociedade do Rio de Janeiro em 1800 e apaixona-se por ela e  ao longo da história vamos  conhecer e acompanhar as dificuldades e dúvidas desses personagens. 

Confesso que quando comecei a leitura, me envolvi rapidamente com o livro e adorei, porém o meio do livro me irritou muito e eu acabei perdendo o encanto e não encontrei sentido em tudo o que estava acontecendo ou o que o autor queria com a obra, mas os 25% finais do livro transformaram totalmente a  experiência  de leitura para mim.

Entendemos, nessas últimas páginas toda a construção da personagem Lúcia, e queremos a todo o momento um final diferente para ela. Embora eu tenha achado o destino dos personagens muito satisfatório, não posso deixar de expressar minha vontade para um fim alternativo, que torci até o último momento.

A linguagem é rebuscada, mas está longe de ser difícil, assim como em Senhora, o autor cria um cenário e um ambiente tão gostosos no livro, que  é fácil virar cada página e se envolver com os personagens.

Enfim, Lucíola  é um daqueles livros fáceis de amar pela trajetória e destino dos personagens, é um romance característico do autor e muito importante para representar as tendências criadas por José de Alencar. Recomendo o livro pela história e escrita, e acredito que o autor é um dos meus favoritos para a literatura brasileira.

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